«I struggled with some demons/They were middle-class and tame» (Leonard Cohen) | setadespedida@yahoo.co.uk

sábado, 5 de janeiro de 2008

Ornitologia para 2008


Os piscos-de-peito-ruivo são pássaros bem conhecidos dos jardineiros ingleses pois gostam de andar por perto sempre que se cava a terra, atentos às minhocas incautas que possam dali emergir.
Desde a época vitoriana que os piscos-de-peito-ruivo figuram nos postais de Natal ingleses. À associação destes pássaros ao Natal não terá sido alheia a visibilidade das avezinhas neste período do ano: os piscos-de-peito-ruivo procuram parceiros em Dezembro, devendo já tê-los encontrado no Ano Novo. Na origem, a imagem dos piscos terá também sido usada como uma espécie de símbolo dos carteiros, que então usavam uniformes com uma cor semelhante à do peito destes pássaros. A presença de piscos nos postais representava, neste contexto, votos de boas novas.
No fim de 2007, uma das grandes estrelas do Natal dos jornais ingleses foi um pisco que um birdwatcher amador avistou no próprio jardim. Era um pisco albino, com o peito branco e não vermelho. Um representante da Royal Society for the Protection of Birds chegou a afirmar que em trinta anos de actividade sistemática de observação de pássaros nunca tinha visto nada assim. O fotógrafo esteve horas à espera para conseguir esta fotografia. Coloco-a aqui como emblema de boa sorte e de felicidade para 2008.
Para quem, como eu, simpatizar com estes pássaros e com jardins, há também um livro delicioso, de Frances Hodgson Burnett, intitulado The Secret Garden, em que um pisco-de-peito-ruivo desempenha um papel fundamental:

The flower-bed was not quite bare. It was bare of flowers because the perennial plants had been cut down for their winter rest, but there were tall shrubs and low ones which grew together at the back of the bed, and as the robin hopped about under them she saw him hop over a small pile of freshly turned up earth. He stopped on it to look for a worm. The earth had been turned up because a dog had been trying to dig up a mole and he had scratched quite a deep hole.

Mary looked at it, not really knowing why the hole was there, and as she looked she saw something almost buried in the newly-turned soil. It was something like a ring of rusty iron or brass and when the robin flew up into a tree nearby she put out her hand and picked the ring up. It was more than a ring, however; it was an old key which looked as if it had been buried a long time.

Mistress Mary stood up and looked at it with an almost frightened face as it hung from her finger.
"Perhaps it has been buried for ten years," she said in a whisper. "Perhaps it is the key to the garden!"

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