«I struggled with some demons/They were middle-class and tame» (Leonard Cohen) | setadespedida@yahoo.co.uk

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Forma de Vida #10

Rob Leighton
 


Já saiu o número dez da Forma de Vida.

No segundo texto da Faca de Papel escrevi sobre zoologia e outros mistérios da revisão de texto.

(Nota: sim, tenho mais coisas a dizer a propósito do poema referido nos parágrafos finais, mas terá de ficar para mais tarde.)
 

sábado, 27 de maio de 2017

Liverpool

Praia de Crosby

 
Se calhar pessoas diferentes reagem de modos distintos ao toque de um alarme de incêndio. Eu reagi como reajo a quase tudo inicialmente: com incredulidade.

No hotel, muitas pessoas correram ansiosamente para a saída vestidas como estavam: de pijama, pantufas com formatos extravagantes inspirados no reino animal, roupões. Eu nem sequer levo roupão quando viajo. Nunca me ocorre a possibilidade de  incêndio.

Alguns vão prevenidos, outros esforçam-se por fingir compostura depois do caldo entornado. Sempre que as catástrofes acontecem apanham-me assim – distraída com outras coisas, mal preparada. Mas sou de opinião que, apesar de não fazer mal enfrentarmos a felicidade mal vestidos, confrontar a catástrofe requer alguma sofisticação.

Indiferente à ideia das chamas, vesti-me com cuidado. Parecia-me essencial que a catástrofe ficasse bem impressionada.

B. tentava telefonar para a recepção. Ninguém atendia, claro.

A seguir descemos a medo e ficámos junto à entrada com os outros hóspedes, a apanhar frio, enquanto os bombeiros chegavam e inspeccionavam as instalações.

Quase duas horas depois os bombeiros foram-se embora. Tinha sido falso alarme.


A criação do mundo



Quando tentava definir o primeiro capítulo da minha tese de doutoramento, num momento de inspiração malickiana lembrei-me de que poderia começar simplesmente pelo princípio.

O princípio, sim, o princípio. Mas qual deles?

A resposta pareceu simples ao meu eu dessa época: teria obviamente de ser o princípio dos tempos. Esta seria, aliás, uma boa solução para todas as teses de doutoramento. Adeus, dúvidas sobre o capítulo inaugural. Todos os candidatos deveriam começar no início do mundo.

Ainda hoje B. ri às gargalhadas sempre que se lembra disto. Eu, no entanto, falava vagamente a sério. As primeiras frases da minha tese iam ser: «Big Bang. As partículas começam a coleccionar-se umas às outras.»

Por incrível que pareça, o princípio da minha tese não é assim. Em vez de partir do Big Bang, a tese converteu-se numa espécie de buraco negro de ideias com que ainda simpatizo mas que deixei de conseguir recuperar para a legibilidade.

É bem possível que as teses de doutoramento sejam o lugar aonde as ideias vão morrer e não começar.


 
 

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O Cinéfilo Preguiçoso em Março e Abril


Mizoguchi e Georges de La Tour
 
30.4.2017 Contos da Lua Vaga (real. Kenji Mizoguchi, 1953)

 

23.4.2017 Paula Rego: Histórias & Segredos (real. Nick Willing, 2017)

 

9. 4.2017 The Spanish Prisoner (real. David Mamet, 1997)

 

2.4.2017 Eisenstein in Guanajuato  (real. Peter Greenaway, 2015)

 

26.3.2017 Café Lumière (real. Hou Hsao-hsien, 2003)

 

19.3.2017 Na Vertical (real. Alain Guiraudie, 2016)

 

12.3.2017 A Toca do Lobo (real. Catarina Mourão, 2015)

 

5.3.2017 Personal Shopper (real. Olivier Assayas, 2016)