
«I too am not a bit tamed, I too am untranslatable» (Walt Whitman) | setadespedida@yahoo.co.uk
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
sexta-feira, 17 de julho de 2009
O cinema italiano e eu
Eu costumava embirrar um bocado com Fellini, mas este ano já vi três filmes maravilhosos deste realizador: Os Inúteis, Palhaços e Roma.
Em Roma, em particular, é interessante constatar como o riso pode conviver com algumas das sequências simultaneamente mais tenebrosas e mais belas que já vi em cinema: o trânsito nos acessos a Roma, a construção dos túneis de metro com a descoberta dos frescos, as cenas nos bordéis, a sequência do desfile de moda eclesiástica.
Ao contrário do que julgava, Fellini é tudo menos decorativo. Há poucos realizadores com filmes em que a morte e a vida estejam tão bem entrelaçados.
Em Roma, em particular, é interessante constatar como o riso pode conviver com algumas das sequências simultaneamente mais tenebrosas e mais belas que já vi em cinema: o trânsito nos acessos a Roma, a construção dos túneis de metro com a descoberta dos frescos, as cenas nos bordéis, a sequência do desfile de moda eclesiástica.
Ao contrário do que julgava, Fellini é tudo menos decorativo. Há poucos realizadores com filmes em que a morte e a vida estejam tão bem entrelaçados.
Deceive inveigle obfuscate
O Michael Jackson que mais me interessa continua a ser o dos Jackson Five.Há ali alguém a quem explicaram que só mereceria amor se fizesse o que lhe dissessem.
Este Michael Jackson ainda não descobriu que para os que são incapazes de amor incondicional mesmo o amor condicional é improvável. Os gestos e movimentos executando cuidadosamente coreografias e instruções denunciam a vontade absurda de lutar por esse amor mal prometido. Mesmo mascarado, este menino tudo faz para agradar.
O Michael Jackson que vem a seguir é muito mais cínico e desencantado. Parece desprovido de centro.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Work in progress
David
No Alphaville, de Godard, Anna Karina lê Paul Éluard.
No filme Splendor in the Grass, de Elia Kazan, são lidos alguns versos do poema de Wordsworth («Ode on Intimations of Immortality») que inspira o próprio título do filme. (Por sua vez, o filme inspirou um poema de Ruy Belo.)
No Alphaville, de Godard, Anna Karina lê Paul Éluard.
No filme Splendor in the Grass, de Elia Kazan, são lidos alguns versos do poema de Wordsworth («Ode on Intimations of Immortality») que inspira o próprio título do filme. (Por sua vez, o filme inspirou um poema de Ruy Belo.)
No fim do filme In her shoes (Na sua Pele), de Curtis Hanson, Cameron Diaz lê o poema «One art», de Elizabeth Bishop. (A personagem é disléxica e conseguir ler este poema é uma grande vitória para ela.)
No filme Seven, de David Fincher, os detectives chegam ao assassino através de uma lista de pessoas que requisitaram certos livros nas bibliotecas. Se não me engano, um desses livros é a Divina Comédia, de Dante.
Neste caso, não é um poema, mas um romance que tem um papel importante no enredo de um filme (conta comigo para ignorar as regras): em A Teoria da Conspiração, de Richard Donner, o protagonista, já não sei bem porquê, é totalmente obcecado pelo livro The Catcher in the Rye, de J. D. Salinger, de que passa a vida a comprar novos exemplares.
No filme Seven, de David Fincher, os detectives chegam ao assassino através de uma lista de pessoas que requisitaram certos livros nas bibliotecas. Se não me engano, um desses livros é a Divina Comédia, de Dante.
Neste caso, não é um poema, mas um romance que tem um papel importante no enredo de um filme (conta comigo para ignorar as regras): em A Teoria da Conspiração, de Richard Donner, o protagonista, já não sei bem porquê, é totalmente obcecado pelo livro The Catcher in the Rye, de J. D. Salinger, de que passa a vida a comprar novos exemplares.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Curtas de Verão
No Verão é melhor um livro grande


Ninguém me perguntou nada, mas tenho visto nas livrarias a tradução portuguesa do Oscar and Lucinda, de Peter Carey (Dom Quixote), que li há pouco tempo, e recomendo vivamente. É um romance com dois protagonistas absolutamente singulares (que, por acaso, são ambos jogadores inveterados), e uma intriga cheia de aventuras e reviravoltas, entre as quais se destaca o transporte de uma igreja de vidro através da selva australiana.
[De momento, não vamos falar dos livros grandes que tenho na estante e ainda não li.]
Chás que pareceram boa ideia

A sugestão é não comprar.
(Há quem goste, no entanto.)

Ninguém me perguntou nada, mas tenho visto nas livrarias a tradução portuguesa do Oscar and Lucinda, de Peter Carey (Dom Quixote), que li há pouco tempo, e recomendo vivamente. É um romance com dois protagonistas absolutamente singulares (que, por acaso, são ambos jogadores inveterados), e uma intriga cheia de aventuras e reviravoltas, entre as quais se destaca o transporte de uma igreja de vidro através da selva australiana.
[De momento, não vamos falar dos livros grandes que tenho na estante e ainda não li.]
Chás que pareceram boa ideia

A sugestão é não comprar.
Máximas estivais
«He would deal with each problem as it came up or he would die.»
(Misery, Stephen King, p. 87)
The Pedant in the Kitchen

Para maior impacto hiperbólico, cito de um livro de receitas de sopas:
«A mais monótona das sopas pode ganhar nova vida se lhe forem acrescentados pequenos detalhes capazes de lhe conferir um toque de magia e um gostinho inesquecível.»
«A mais monótona das sopas pode ganhar nova vida se lhe forem acrescentados pequenos detalhes capazes de lhe conferir um toque de magia e um gostinho inesquecível.»
Em cada canja, uma folhinha de hortelã.
terça-feira, 16 de junho de 2009
La chambre verte
Deste filme não posso esquecer:
- a noite passada por Julien Davenne no quarto verde, depois de recuperar o anel da mulher;
- o cemitério, a tarde em que Julien foi visitar a sepultura da mulher depois de o quarto verde arder (Davenne só se apercebeu de que era altura de regressar a casa de noite, depois de o cemitério fechar, quando já era impossível sair);
- a descoberta da capela dos mortos, nessa mesma noite;
- a primeira visita de Cecilia Mandel à capela dos mortos;
- os mortos de Truffaut/Davenne;
- a visita aos objectos que iam ser vendidos em leilão;
- a destruição do manequim da mulher morta.
- o cemitério, a tarde em que Julien foi visitar a sepultura da mulher depois de o quarto verde arder (Davenne só se apercebeu de que era altura de regressar a casa de noite, depois de o cemitério fechar, quando já era impossível sair);
- a descoberta da capela dos mortos, nessa mesma noite;
- a primeira visita de Cecilia Mandel à capela dos mortos;
- os mortos de Truffaut/Davenne;
- a visita aos objectos que iam ser vendidos em leilão;
- a destruição do manequim da mulher morta.
Tenho a impressão de que os dois melhores filmes que vi no primeiro semestre de 2009 foram La Vie des Morts, de Arnaud Desplechin, e este La Chambre Verte, de François Truffaut, que passou ontem na Cinemateca.
domingo, 14 de junho de 2009
Museu da luz

Não encontro na Internet uma imagem capaz de evocar o que se sente ao entrar nas salas onde está exposto algum trabalho de Dan Flavin, da colecção Panza, no Museu Berardo.
Já tinha visto peças de Dan Flavin noutros museus, mas entre obras de outros artistas, expostas como se fossem pinturas, partilhando o espaço que devia se ser só seu. Entrar nestas salas só de luz, estar lá dentro, é uma experiência quase transcendental.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Gallop apace, you fiery-footed steeds
Romeo and Juliet, Nature Theater of Oklahoma A ideia de base era simples. Tinha a ver com Shakespeare: a companhia queria descobrir algumas das razões pelas quais Shakespeare ainda é recordado, estudado, representado e amado.
O ponto de partida foi a peça Romeu e Julieta, geralmente o primeiro texto do autor que se estuda na escola ou na faculdade. Foram feitos alguns telefonemas, em que se pediu ao interlocutor que tentasse resumir a intriga da peça, citar algumas passagens de que se lembrasse e explicar o significado de tudo isso para ele.
O ponto de partida foi a peça Romeu e Julieta, geralmente o primeiro texto do autor que se estuda na escola ou na faculdade. Foram feitos alguns telefonemas, em que se pediu ao interlocutor que tentasse resumir a intriga da peça, citar algumas passagens de que se lembrasse e explicar o significado de tudo isso para ele.
O texto da peça que esteve em cena no Maria Matos baseia-se, então, nas lembranças ou nas lacunas da memória em relação a esta peça de Shakespeare: personagens (da peça ou não) que se destacam, outras que quase se diluem, partes da história difíceis de recordar, interpretações estranhas do desenlace relacionadas com a morte de Anna Nicole Smith e o 11 de Setembro, memórias escolares, um filme com o Leonardo DiCaprio, vídeos do YouTube ou bocas que se mandam em chatrooms.
Falando com alguém sobre qualquer peça de Shakespeare, obteremos resultados semelhantes. Das peças ficam não exactamente as coisas que estudámos e discutimos na escola, mas os elementos com que nos identificamos mais, nos quais encontramos pontos de contacto com a nossa vida.
Para articularem estes monólogos coloquiais e cheios de hesitações, os actores adoptavam a postura e a dicção dos mais convictos actores shakespearianos. Às vezes também nós nos comportamos assim.
terça-feira, 2 de junho de 2009
A minha Feira do Livro deste ano
Na história da minha vida, 2009 ficará com certeza como o ano em que menos compras fiz na Feira do Livro.
Sem muito tempo livre no mês de Maio, só pude fazer duas visitas ao parque Eduardo Sétimo, ambas em dias pouco agradáveis.
Da primeira vez, no dia um de Maio, estava um calor insuportável e imensa gente: Lisboa em peso estava ali concentrada e penso até que vi ranchos folclóricos, trajados a rigor, com elementos empurrando carrinhos de bebé. Da segunda vez, começou a chover.
Sem muito tempo livre no mês de Maio, só pude fazer duas visitas ao parque Eduardo Sétimo, ambas em dias pouco agradáveis.
Da primeira vez, no dia um de Maio, estava um calor insuportável e imensa gente: Lisboa em peso estava ali concentrada e penso até que vi ranchos folclóricos, trajados a rigor, com elementos empurrando carrinhos de bebé. Da segunda vez, começou a chover.
Talvez por tudo isto, não achei que a Feira estivesse melhor este ano.
Ainda hoje me pergunto onde estariam os tão publicitados novos equipamentos de restauração que a organização classificou como «diversificados».
Receio bem ser das poucas pessoas a quem a praça Leya não convenceu: será mesmo necessário ter sempre música aos berros para vender livros?
Julgar-se-ia que um dos traços distintivos do conceito de Feira do Livro deveria ser colocar à disposição das pessoas livros interessantes com descontos atractivos. Acho inacreditável que não haja informação organizada sobre os livros do dia propostos pelas várias editoras. Fiquei muito contente por encontrar e comprar a tradução de Paulo Farmhouse Alberto das Metamorfoses de Ovídio com 40% de desconto, mas isto aconteceu totalmente por acaso. Custará assim tanto pedir às editoras uma lista dos seus livros do dia antes do início da Feira e facultá-la aos interessados?
Para que é que a APEL tem um blogue se este não transmite a informação mais importante?
Ainda hoje me pergunto onde estariam os tão publicitados novos equipamentos de restauração que a organização classificou como «diversificados».
Receio bem ser das poucas pessoas a quem a praça Leya não convenceu: será mesmo necessário ter sempre música aos berros para vender livros?
Julgar-se-ia que um dos traços distintivos do conceito de Feira do Livro deveria ser colocar à disposição das pessoas livros interessantes com descontos atractivos. Acho inacreditável que não haja informação organizada sobre os livros do dia propostos pelas várias editoras. Fiquei muito contente por encontrar e comprar a tradução de Paulo Farmhouse Alberto das Metamorfoses de Ovídio com 40% de desconto, mas isto aconteceu totalmente por acaso. Custará assim tanto pedir às editoras uma lista dos seus livros do dia antes do início da Feira e facultá-la aos interessados?
Para que é que a APEL tem um blogue se este não transmite a informação mais importante?
Os corpos que temos
Em princípio, cada ser humano tem uma cabeça com dois olhos, um nariz e uma boca, um tronco, dois braços, duas mãos com cinco dedos cada, duas pernas, dois pés também com cinco dedos, um esqueleto a suportar isto tudo.No livro Mutantes, Armand Marie Leroi, professor de Biologia Evolucionista do Desenvolvimento no Imperial College de Londres, reflecte sobre o que está na base desta morfologia a partir de casos históricos desviantes e dos mitos que corpos assim provavelmente inspiraram: gémeos siameses, hermafroditas, ciclopes, albinos, anões, gigantes, sereias. As histórias de vida destas pessoas e daqueles que as estudaram funcionam como ponto de partida para explicar as razões de os nossos próprios corpos serem como são:
«Os morfogénios que atravessam o embrião em desenvolvimento fornecem às células uma espécie de grelha de coordenadas que lhes permitem descobrir onde se encontram e, por consequência, o que devem ser e fazer. Uma célula é, assim, bastante semelhante a um navegador que, atravessando os confins do oceano, trabalha com sextante e cronómetro para encontrar a longitude e a latitude do ponto onde se encontra a cada momento.» (pp. 106-107, trad. Jorge Lima)
«Os morfogénios que atravessam o embrião em desenvolvimento fornecem às células uma espécie de grelha de coordenadas que lhes permitem descobrir onde se encontram e, por consequência, o que devem ser e fazer. Uma célula é, assim, bastante semelhante a um navegador que, atravessando os confins do oceano, trabalha com sextante e cronómetro para encontrar a longitude e a latitude do ponto onde se encontra a cada momento.» (pp. 106-107, trad. Jorge Lima)
O livro passou-me pelas mão por razões profissionais. À partida, não me lembraria sozinha de comprar um ensaio sobre este tema. Mas dei por mim perfeitamente deslumbrada com o que estava a ler: não só pelo interesse que a abordagem me suscitou, mas também devido à clareza com que o autor é capaz de explicar aos leigos mecanismos tão complexos.
Em Inglaterra o livro foi tão bem recebido que o Channel Four decidiu fazer uma série a partir dele, apresentada pelo próprio autor. Nós por cá é mais concursos, telenovelas e futebol. Valham-nos algumas editoras que ainda publicam ensaios assim.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
In Memoriam João Bénard da Costa
Estou triste. Vou sentir a falta de o ver passar pelos corredores da Cinemateca ou a aparecer, por vezes inesperadamente, no início de uma sessão, para dizer algumas palavras (a última vez que o vi foi no início do filme A Saga de Gösta Berling, numa tarde de um dia de semana em Dezembro do ano passado; despediu-se com um «Bom Natal»).
Comecei a apreciá-lo mais quando passei a viver em Lisboa e a ler com regularidade as folhas de sala da Cinemateca. Contudo, de uma coisa não tenho dúvidas: artigos e livros inteiros poderão ter sido escritos sobre alguns filmes, mas quando lemos as duas ou três páginas que Bénard escreveu sobre o mesmo tema, estas são quase sempre mais inspiradoras, qualidade bastante rara nos dias que correm.
Comecei a apreciá-lo mais quando passei a viver em Lisboa e a ler com regularidade as folhas de sala da Cinemateca. Contudo, de uma coisa não tenho dúvidas: artigos e livros inteiros poderão ter sido escritos sobre alguns filmes, mas quando lemos as duas ou três páginas que Bénard escreveu sobre o mesmo tema, estas são quase sempre mais inspiradoras, qualidade bastante rara nos dias que correm.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Não se vive mal em Lisboa nestes dias
O meu Indie Lisboa começou no dia 24 de Maio com o excelente Waiting for Sancho, de Mark Peranson, uma espécie de making-of poético do filme O Canto dos Pássaros, em que Albert Serra, por vezes à espera não só de Sancho mas também do nevoeiro, explica que neste filme quis recusar sentimentalidade e narrativa, ficando apenas com algo de muito básico: pessoas de que gostava (os actores) e uma câmara.Seguiu-se La Belle Personne, o mais recente de Christophe Honoré, de que gostei muito, sobretudo por ser um filme de Inverno tão desordenado. Haverá ainda filmes de João Rosas, Wong Kar Wai e Terence Davies.
Mais ou menos por altura da estreia do filme Conto de Natal, o Instituto Franco-Português vai passar alguns filmes de Arnaud Desplechin que ainda não vi. (Dizer que Desplechin é alguém que leu demasiados livros e viu demasiados filmes sem compreender bem nenhum deles parece-me uma excelente descrição; é precisamente por isto que gosto dos filmes dele.)
No Teatro D. Maria está uma peça de Strindberg com uma actriz magnífica como protagonista.
Feira do Livro, Primavera, gelados, jacarandás a florir…
Leituras
A capa da minha edição é bastante esclarecedora: há animais selvagens que alguns escritores tratam como animais domésticos.
No caso de David Foster Wallace, os animais selvagens são a depressão, conversa de psiquiatra, medicamentos perigosos e outras obsessões, sexuais ou não. Os temas são explorados até à exaustão em círculos concêntricos difíceis de suportar.
Não é impunemente que se trata animais selvagens como animais domésticos.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
O que eu fiz no 25 de Abril
A origem do Palácio de São Bento remonta a 1598, ano em que se iniciou a construção de um mosteiro beneditino que pertenceu aos Monges Negros de Tibães até 1833, conhecido como Mosteiro de São Bento da Saúde.
Após a extinção das ordens religiosas, o mosteiro foi transformado em Palácio das Cortes, por decreto de D. Pedro IV.
O Mosteiro de São Bento teve utilizações diversificadas: foi prisão, hospedaria, sepultura de estranhos, refúgio, depósito de destroços regimentais, academia militar e até patriarcal. Como consequência do sismo de 1755, foi ali instalado provisoriamente o Arquivo Nacional da Torre do Tombo.
No séc. XX, o edifício sofreu a sua mais profunda remodelação no interior e nas fachadas, intervenção que lhe conferiu a imponência e a dignidade consideradas adequadas ao órgão de soberania que alberga.
[Informação retirada de um dos folhetos oferecidos]
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Breves de Páscoa
Cinema italiano

Do filme I Vitelloni (Os Inúteis, 1953), de Fellini
Pessoas que durante o último ano me ouviram sempre que eu disse mal de todo o cinema italiano em geral a propósito dos filmes Rocco, de Visconti, e A Noite, de Antonioni (e foram muitas, bem sei), obrigada pela paciência. Continuo a detestar estes dois filmes, mas já consigo admitir que o cinema italiano tem obras-primas.
Proteger o bestseller, coitadinho
Mal estaríamos se os proprietários das livrarias não pudessem seleccionar os livros que eles próprios expõem e vendem. Lendo alguns posts por aí dir-se-ia não só que não querer vender alguns bestsellers numa livraria pequena é uma opção que prejudica gravemente o consumidor, mas também que não somos bombardeados por sucessos de venda em quase todos os estabelecimentos (livrarias ou não) em que ousemos entrar, em quase todos os jornais ou revistas que tentamos folhear. Haja sítios livres de bestsellers! Por mim, valorizo as livrarias que me mostram livros que não encontro noutro lugar.
Especiarias

Do filme I Vitelloni (Os Inúteis, 1953), de Fellini
Pessoas que durante o último ano me ouviram sempre que eu disse mal de todo o cinema italiano em geral a propósito dos filmes Rocco, de Visconti, e A Noite, de Antonioni (e foram muitas, bem sei), obrigada pela paciência. Continuo a detestar estes dois filmes, mas já consigo admitir que o cinema italiano tem obras-primas.
Proteger o bestseller, coitadinho
Mal estaríamos se os proprietários das livrarias não pudessem seleccionar os livros que eles próprios expõem e vendem. Lendo alguns posts por aí dir-se-ia não só que não querer vender alguns bestsellers numa livraria pequena é uma opção que prejudica gravemente o consumidor, mas também que não somos bombardeados por sucessos de venda em quase todos os estabelecimentos (livrarias ou não) em que ousemos entrar, em quase todos os jornais ou revistas que tentamos folhear. Haja sítios livres de bestsellers! Por mim, valorizo as livrarias que me mostram livros que não encontro noutro lugar.
Especiarias
Mistura de pimentas em grão
Paga-se 87 euros por quilo (esta embalagenzita de 30 gramas custa 2.60 euros ), mas até o aroma é maravilhoso.
Capas

Esta capa tem muito que se lhe diga.
Paga-se 87 euros por quilo (esta embalagenzita de 30 gramas custa 2.60 euros ), mas até o aroma é maravilhoso.
Capas

Esta capa tem muito que se lhe diga.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Links selvagens e domésticos
O sentido é revisitação ou uma selva dentro da selva, de Luís Quintais
Que me lembre, nunca linkei estes blogues, mas há muito que os leio com interesse:
Duas das minhas séries preferidas da blogosfera:
Coisas que melhoram algumas vidas
Livros pedidos, deste blogue: Henrique, volta!
sexta-feira, 3 de abril de 2009
A Mulher Sem Cabeça, de Lucrecia Martel

Gosto imenso da personagem da rapariga com hepatite. A mãe bem tenta mantê-la em casa ou dentro do carro, mas ela anda para ali, amarelada, aparentemente sem ter grande razão de ser.
A dada altura aparece a beber uma limonada. Quando a mãe a chama para se vir embora, pousa o copo com a bebida inacabada no balcão da cozinha e sai da imagem. Pouco depois, aproxima-se um menino que também por ali anda um pouco gratuitamente e bebe desse copo sem ninguém da casa dar por isso.
Assim, em pano de fundo, se processa o contágio.
A dada altura aparece a beber uma limonada. Quando a mãe a chama para se vir embora, pousa o copo com a bebida inacabada no balcão da cozinha e sai da imagem. Pouco depois, aproxima-se um menino que também por ali anda um pouco gratuitamente e bebe desse copo sem ninguém da casa dar por isso.
Assim, em pano de fundo, se processa o contágio.
Desejo de ir embora
«She could feel Mrs Power desire to leave as big and physical as a horse standing beside her on a carpet.»
Do conto «Luck Be a Lady», de Anne Enright (in Yesterday’s Weather, Vintage, p. 258)
Potencialidades ficcionais das enxaquecas
Na antologia de contos de Anne Enright há um texto («Pale Hands I Loved, Beside the Shalimar») com um excelente momento dedicado à enxaqueca: chegada, persistência, desaparecimento («There is something unbelievable about a migraine. You lie there and can’t believe it. You lie there, rigid with unbelief, like an atheist in hell.», p. 185)
Sonho em encontrar uma antologia em que esta condição assuma um papel se não central pelo menos importante. Que me lembre, infelizmente, não me passaram pelas mãos muitos textos com esta característica. Para além do conto de Anne Enright, um conto de Julio Cortázar e o magnífico segundo capítulo de Margarita e o Mestre. Alguém se recorda de outros?
[Este post veio a propósito de um Top Ten de cenas com café.]
Sonho em encontrar uma antologia em que esta condição assuma um papel se não central pelo menos importante. Que me lembre, infelizmente, não me passaram pelas mãos muitos textos com esta característica. Para além do conto de Anne Enright, um conto de Julio Cortázar e o magnífico segundo capítulo de Margarita e o Mestre. Alguém se recorda de outros?
[Este post veio a propósito de um Top Ten de cenas com café.]
Um comentário de Luís Monteiro:
Há outras referências julgo eu. Desde o "basta" do Robert Walser, até ao retrato de um artista de Joyce. Um ou outro livro do Bernhard. E talvez, "Amor e Dinheiro" de Erskine Caldwell. E eventualmente, uma estrofe das elegias de Hölderlin.
Uma sugestão de Simão Pamplona
Entre o conto e a crónica: "In Bed", de Joan Didion (do livro The White Album).
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