«The place you will come to may be black, something you would disown, but if you have found yourself there, that is so far home; you will either domesticate that, naturalize yourself there, or you will recover nothing.» (Stanley Cavell) | setadespedida@yahoo.co.uk

sexta-feira, 20 de março de 2009

Figuras femininas em Bresson e exclusão

Perante a protagonista de Quatre nuits d’un rêveur, e pensando nas figuras feminas de outros filmes de Bresson, nomeadamente Procès de Jeanne d’Arc, Pickpocket, Le Diable Probablement, Au hasard Balthasar, Une femme douce ou até Lancelot du Lac, chego a três conclusões não muito interessantes.

Apesar de Bresson ter declarado várias vezes que costumava escolher os actores/modelos através de conversas por telefone por achar que, no cinematógrafo, o som da voz é mais importante do que a aparência, quase todas as mulheres que aparecem em papéis dignos de nota nos filmes do realizador correspondem a um mesmo tipo físico com traços delicados e miudinhos.

O tipo feminino que Bresson gosta de filmar está nos antípodas do de María Casares, actriz com que o realizador teve vários conflitos durante a rodagem de Les Dames du Bois de Boulogne. (Não chego ao ponto de dizer que Bresson procurou a maior distância possível de María Casares em todas as mulheres que filmou – muito embora quase acredite nisso.)

Uma vez que fisicamente estou muito mais próxima de María Casares do que das outras mulheres que o realizador francês filmou depois, fico com a certeza (terrível) de que nem sequer como figurante poderia alguma vez aparecer num filme de Bresson.


Imagem: Isabelle Weingarten, Marthe em Quatre nuits d’un rêveur

Arquivo do blogue