«I struggled with some demons/They were middle-class and tame» (Leonard Cohen) | setadespedida@yahoo.co.uk

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Não se vive mal em Lisboa nestes dias

O meu Indie Lisboa começou no dia 24 de Maio com o excelente Waiting for Sancho, de Mark Peranson, uma espécie de making-of poético do filme O Canto dos Pássaros, em que Albert Serra, por vezes à espera não só de Sancho mas também do nevoeiro, explica que neste filme quis recusar sentimentalidade e narrativa, ficando apenas com algo de muito básico: pessoas de que gostava (os actores) e uma câmara.
Seguiu-se La Belle Personne, o mais recente de Christophe Honoré, de que gostei muito, sobretudo por ser um filme de Inverno tão desordenado. Haverá ainda filmes de João Rosas, Wong Kar Wai e Terence Davies.

Mais ou menos por altura da estreia do filme Conto de Natal, o Instituto Franco-Português vai passar alguns filmes de Arnaud Desplechin que ainda não vi. (Dizer que Desplechin é alguém que leu demasiados livros e viu demasiados filmes sem compreender bem nenhum deles parece-me uma excelente descrição; é precisamente por isto que gosto dos filmes dele.)

No Teatro D. Maria está uma peça de Strindberg com uma actriz magnífica como protagonista.

Feira do Livro, Primavera, gelados, jacarandás a florir…


Leituras

Não é que os contos deste livro estejam mal escritos, ou que David Foster Wallace seja um escritor pouco inteligente, mas há muito que não me custava tanto chegar ao fim de um volume com menos de trezentas páginas.
A capa da minha edição é bastante esclarecedora: há animais selvagens que alguns escritores tratam como animais domésticos.
No caso de David Foster Wallace, os animais selvagens são a depressão, conversa de psiquiatra, medicamentos perigosos e outras obsessões, sexuais ou não. Os temas são explorados até à exaustão em círculos concêntricos difíceis de suportar.
Não é impunemente que se trata animais selvagens como animais domésticos.


segunda-feira, 27 de abril de 2009

O que eu fiz no 25 de Abril


A origem do Palácio de São Bento remonta a 1598, ano em que se iniciou a construção de um mosteiro beneditino que pertenceu aos Monges Negros de Tibães até 1833, conhecido como Mosteiro de São Bento da Saúde.
Após a extinção das ordens religiosas, o mosteiro foi transformado em Palácio das Cortes, por decreto de D. Pedro IV.

O Mosteiro de São Bento teve utilizações diversificadas: foi prisão, hospedaria, sepultura de estranhos, refúgio, depósito de destroços regimentais, academia militar e até patriarcal. Como consequência do sismo de 1755, foi ali instalado provisoriamente o Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

No séc. XX, o edifício sofreu a sua mais profunda remodelação no interior e nas fachadas, intervenção que lhe conferiu a imponência e a dignidade consideradas adequadas ao órgão de soberania que alberga.


[Informação retirada de um dos folhetos oferecidos]


quarta-feira, 8 de abril de 2009

Breves de Páscoa

Cinema italiano

Do filme I Vitelloni (Os Inúteis, 1953), de Fellini
Pessoas que durante o último ano me ouviram sempre que eu disse mal de todo o cinema italiano em geral a propósito dos filmes Rocco, de Visconti, e A Noite, de Antonioni (e foram muitas, bem sei), obrigada pela paciência. Continuo a detestar estes dois filmes, mas já consigo admitir que o cinema italiano tem obras-primas.

Proteger o bestseller, coitadinho
Mal estaríamos se os proprietários das livrarias não pudessem seleccionar os livros que eles próprios expõem e vendem. Lendo alguns posts por aí dir-se-ia não só que não querer vender alguns bestsellers numa livraria pequena é uma opção que prejudica gravemente o consumidor, mas também que não somos bombardeados por sucessos de venda em quase todos os estabelecimentos (livrarias ou não) em que ousemos entrar, em quase todos os jornais ou revistas que tentamos folhear. Haja sítios livres de bestsellers! Por mim, valorizo as livrarias que me mostram livros que não encontro noutro lugar.

Especiarias
Mistura de pimentas em grão
Paga-se 87 euros por quilo (esta embalagenzita de 30 gramas custa 2.60 euros ), mas até o aroma é maravilhoso.

Capas

Esta capa tem muito que se lhe diga.



segunda-feira, 6 de abril de 2009

Links selvagens e domésticos


Que me lembre, nunca linkei estes blogues, mas há muito que os leio com interesse:

Duas das minhas séries preferidas da blogosfera:
Coisas que melhoram algumas vidas
Livros pedidos, deste blogue: Henrique, volta!

Um blogue que já linkei várias vezes, mas que vale sempre a pena destacar:
Montanha Mágica


sexta-feira, 3 de abril de 2009

A Mulher Sem Cabeça, de Lucrecia Martel


Gosto imenso da personagem da rapariga com hepatite. A mãe bem tenta mantê-la em casa ou dentro do carro, mas ela anda para ali, amarelada, aparentemente sem ter grande razão de ser.
A dada altura aparece a beber uma limonada. Quando a mãe a chama para se vir embora, pousa o copo com a bebida inacabada no balcão da cozinha e sai da imagem. Pouco depois, aproxima-se um menino que também por ali anda um pouco gratuitamente e bebe desse copo sem ninguém da casa dar por isso.
Assim, em pano de fundo, se processa o contágio.


Desejo de ir embora

«She could feel Mrs Power desire to leave as big and physical as a horse standing beside her on a carpet.»

Do conto «Luck Be a Lady», de Anne Enright (in Yesterday’s Weather, Vintage, p. 258)


Potencialidades ficcionais das enxaquecas

Na antologia de contos de Anne Enright há um texto («Pale Hands I Loved, Beside the Shalimar») com um excelente momento dedicado à enxaqueca: chegada, persistência, desaparecimento («There is something unbelievable about a migraine. You lie there and can’t believe it. You lie there, rigid with unbelief, like an atheist in hell.», p. 185)
Sonho em encontrar uma antologia em que esta condição assuma um papel se não central pelo menos importante. Que me lembre, infelizmente, não me passaram pelas mãos muitos textos com esta característica. Para além do conto de Anne Enright, um conto de Julio Cortázar e o magnífico segundo capítulo de Margarita e o Mestre. Alguém se recorda de outros?


[Este post veio a propósito de um Top Ten de cenas com café.]


Um comentário de Luís Monteiro:
Há outras referências julgo eu. Desde o "basta" do Robert Walser, até ao retrato de um artista de Joyce. Um ou outro livro do Bernhard. E talvez, "Amor e Dinheiro" de Erskine Caldwell. E eventualmente, uma estrofe das elegias de Hölderlin.


Uma sugestão de Simão Pamplona
Entre o conto e a crónica: "In Bed", de Joan Didion (do livro The White Album).