«I struggled with some demons/They were middle-class and tame» (Leonard Cohen) | setadespedida@yahoo.co.uk

terça-feira, 26 de abril de 2016

A chegar às livrarias

 
Imagem na capa: Portrait de Madame Ranson au chat, de Maurice Denis (cerca de 1892)


 
«O Museu Maurice Denis estava estranhamente deserto. Os guias seguiam Guy e Cristina à distância, fingiam que não reparavam neles, comunicavam entre si o paradeiro do casal de visitantes por meio de walkie-talkies, mostravam sinais exteriores de pânico quando eles invertiam a marcha ou se entregavam a qualquer acção um pouco mais inesperada (assoar o nariz, dar um nó no atacador). Cristina disfarçou o riso enquanto pôde, mas foi obrigada a refugiar-se na casa de banho.»
 
 
Alexandre Andrade. 2016. O Leão de Belfort. Lisboa: Relógio D'Água.
 
 

 

segunda-feira, 25 de abril de 2016

O Cinéfilo Preguiçoso em Março e Abril

A Bigger Splash, David Hockney (1967)

 
25.4.2016 Innocence of Memories e L’Aquarium et la Nation (real. Grant Gee, 2015; real. Jean-Marie Straub, 2015)

 
16.4. 2016 Mergulho Profundo (real. Luca Guadagnino, 2015)

 
10.4.2016 Menina Else e La Ronde (real. Paul  Czinner, 1929; real. Max Ophüls, 1950)

 
3.4.2016 John From (real. João Nicolau, 2015)

 
20.3.2016 Le Plaisir (real. Max Ophüls, 1952)

 
13.3.2016 Walden (real. Jonas Mekas, 1969)

 
6.3.2016 Cavaleiro de Copas  (real. Terrence Malick, 2015)



sábado, 16 de abril de 2016

Links de Primavera



Nos Estados Unidos, Abril é o mês nacional da poesia. Esta efeméride foi criada em 1996 pela Academia Americana de Poetas, pelo que comemora o décimo aniversário em 2016. Devo ser a pessoa do planeta Terra que menos se interessa por efemérides e comemorações, mas gostei muito deste cartaz desenhado por Debbie Millman, que demonstra que as palavras podem ser imagens. Nem quero saber de onde vêm as citações usadas: são tão evocativas só por si.
 
 
PODCASTS
 

A mesma Debbie Millman é a responsável por um dos meus podcasts preferidos –  Design Matters –, onde, entre outros assuntos, se conversa sobre felicidade e a ausência de linearidade em certas vidas criativas.


 
Ainda sobre podcasts, duas conversas interessantes com Adam Phillips, a propósito do livro Unforbidden Pleasures, sobre o valor dos prazeres mais frequentes, mas também sobre outros temas:
 
uma conversa entre o autor a escritora Deborah Levy na casa-museu de Freud;
– um telefonema de Paul Holdengraber em duas partes: primeira; segunda.
 
Mais uma vez, devo ser a pessoa do planeta Terra com mais cepticismo em relação à psicanálise (posso justificar esta oposição de muitas maneiras, mas fica para outra altura), porém a cultura e a inteligência de Adam Phillips vão muito para além disso. Ganha-se sempre em ouvi-lo.
 
 

 
DOIS ARTIGOS INTERESSANTES
 


Foto: booksonthepark, via Instagram.


 
1. Edwin Frank é o fundador da excelente editora New York Review Books, que se distingue por recuperar clássicos esquecidos ou pouco conhecidos.  

Nesta entrevista à Paris Review há uma descrição excelente sobre como escolher livros (para ler ou para publicar):
«Fairly early on, I said what I wanted to do was mix things up. Something old, something new, something whatever color it is, and something blue. Then there’s the question of how you go about finding things. You have to be sort of open to surprise and at the same time assiduous in pursuing the things you’re really interested in. You have to be patient. And along the way, when you’re pursuing things you’re confident you want, other things may crop up.»
 
Encontramos igualmente uma definição breve e simples sobre o que faz um bom livro:
 «Good books revise your sense of what a good book can be.»
 
2. Também gosto muito do modo como Geoff Dyer ao mesmo tempo expressa ambivalência e admiração por Annie Dillard no prefácio do livro The Abundance.
 
 
 
CARTAZES, CAPAS DE DISCOS, ILUSTRAÇÕES
 




Cheguei a Craig Carry porque trabalha com músicos que costumo ouvir, como David Lang, This is the Kit, My Brightest Diamond, The National ou Aaron Dessner. Vale a pena explorar o site.
 
 
 CHÁS
 
 
A chuva continua. Se ao menos isso fosse bom para as alergias de Primavera. Mas não, nos poucos dias ou momentos em que a chuva não cai as sementes e as flores parecem ficar ainda mais contentes e descontroladas. Este chá ajuda a respirar, com ou sem mel. É um daqueles chás com uma combinação de sabores que parece imediatamente uma ideia tão boa que só pode dar maus resultados. Neste caso, contudo, a boa ideia correu bem.
 
 
 
 


terça-feira, 12 de abril de 2016

We will watch with continuing interest



Os Public Service Broadcasting compuseram a faixa «The Other Side» a partir de gravações da NASA referentes à missão Apollo 8, realizada no Natal de 1968.


A Apollo 8 foi a primeira missão tripulada por seres humanos a circum-navegar a lua, tendo Frank Borman, Jim Lovell, e Bill Anders sido os primeiros astronautas que abandonaram a órbita terrestre.

 
Após três dias de viagem, a tripulação passou vinte horas em torno da lua, antes de iniciar o percurso de regresso à Terra. Durante estas vinte horas, a dada altura a NASA perdeu o contacto verbal com a nave e teve de esperar que esta atingisse um ponto no espaço em que o contacto pudesse ser retomado.
 
Nas gravações, esta espera é descrita com eufemismos como «Now we're in the period of the longest wait», «There's certainly a great deal of anxiety at this moment», «We will watch with continuing interest».
 
Tal como a NASA, muitas vezes também temos de esperar que um percurso inédito se cumpra sem sabermos ao certo o que vai acontecer entretanto. Nesses momentos, resta-nos «observar com interesse persistente». É a única coisa que nos resta. Antes da espera, no entanto, há muito para fazer.